Palavras ao Vento

 

Se as minhas palavras não ecoam

Entre as montanhas, quando solto a minha voz...

Nem quando solto o meu canto com dignidade,

Assim como os passarinhos cantam em liberdade...

(...) Só ouço o meu silêncio nesse manifesto atroz.

 

Se as minhas palavras não envolvem tais sentimentos,

Enquanto que nessa aurora, quando nasce o raio de sol...

Minhas palavras vão ao vento e não ecoam nesse arrebol.

Silencio-me e vejo um bailado daqui p’ra acolá do vento...

Mas....., minha voz não quer calar um só momento!

 

O sol do meio dia vem aquecer a minha extrema agonia.

Já cansado de esperar o inesperado eco que não ouvia...

Mesmo quando solto o meu gemido na desesperabilidade...

Minha canção quer encontrar minh’alma do outro lado

Da sombra, onde dorme o meu longínquo canto calado.

 

Se a minha voz não ressoa entre esses belos montes...

Assim como o sol vai se pondo, calado, no horizonte...

Silencioso, tal como as minhas palavras vão em vão...

Dia a dia, vejo no céu, nos mares e nos lindos arvoredos,

A sombra de minha voz surgir nas águas e rochedos.

 

Se as minhas palavras vão ao vento e não retornam

Dessas lindas montanhas... Minhas lágrimas formam

Cachoeiras que deságuam no mar, meu choro a chorar;

Nem mesmo um soluçar das águas a ecoar. Um algoz

Num vento cálido a soprar meu gemido e minha voz.

 

E quando a noite vem..... Chegando bem de mansinho,

No meio dessa vasta floresta, sinto-me sozinho...

Sombreado no meio da mata, onde num deserto achei

A minha desesperança, e vou ensimesmando-me tristonho,

Nessa sombra ilusória onde tentei viver um só sonho.

 

Pouco a pouco, as estrelas vão surgindo no firmamento...

Tão lindo... Tão naturalmente vão clareando todo o céu;

A lua, doirada, cheia de ternura nesse entrelaçamento...

Vem resplandecendo sobre a aba do meu chapéu;

É quando, de repente — ouço a minha voz ao léu... Ao léu...

 

(((((AO LÉU))))), ((((AO LÉu)))), (((AO Léu))), ((AO léu)), (Ao léu)...

 

 Paulo Costa (Pacco)



Paulo *11h42







Distraído

 

Fui traído tantas vezes,

Tantas vezes fui traído...

Pelos bardos vis burgueses,

Quando estava distraído!

E os artistas camponeses,

— Qual maldito destemido 

Vivem inglória, um mar de escória,

Sem poema nessa história!



Pacco



Paulo *11h48






 

A Ópera da Vida

 

Que culpa tenho eu, se Deus deu-me a canção?

Só devo agradecer-Lhe a Música embevecida,

Que opera no meu peito  a Ópera da Vida...

 Tão bela qual poema... E a Musa n'amplidão!



Pacco



Paulo *14h27






 

Estrambóticas elisões

 

Suprimiram os tais apóstrofos

E os discretos travessões...

Nos poemas plagiótropos,

Co' estrambóticas elisões!

Nessa esdrúxula hostilidade,

Sem a menor criatividade,

No estribilho da canção.

Screve um bando, um "tosco iambo",

E um irrisório ditirambo 

Sem orgasmo e sedução!
 
 
Pacco



Paulo *13h54






 

O Tangará

 

... E o tangará cantava u'a doce melodia...

Chamando a linda Ninfa, a desfrutar seu ninho;

À beira d'uma cascata  em pleno azul-marinho,

Num brilho inebriante, ao alvorecer do dia!

 

As brumas na alvorada, iriantes, conduzia

A ardente sinfonia airosa, em meio aos pinhos,

Num esmensurado olor  tão cheio de carinho...

E nesse ardor vibrante  o tangará dizia:


— Ficar longe de ti... transcende u'a dor intensa!...

Quem dera se eu pudesse atravessar as matas,

As serras, os lagos, os rios e as cachoeiras extensas...

 

Nas águas cintilantes e espumas cor de prata...

Contigo a navegar sobre a floresta imensa...

— Repleta de eufonia — em tom de serenata!



Pacco



Paulo *11h37






 

Anjo Azul

 

Tu és um Anjo Azul em minha vida,

Qual estrela cintilante no universo...

Onde eu inspiro a Arte, ao fazer verso,

Nas cores do arco-íris, minha querida!

 

Em meio aos horizontes  sem medida...

Trespasso a imensidão, mesmo disperso,

Por onde sinto o olor em teus reversos,

— Despenteada e nua e embevecida!

 

Tu'alma é semelhante o azul do céu...,

Tal qual teus seios lindos, tão brilhantes...

Que osculo um mar d'amores no teu mel...

 

E sinto a imensidade em ti, flamante...

Despida no meu corpo ardente ao léu,

Mais linda que u'a princesa exuberante!



Pacco



Paulo *11h36






 


 Pai Amado!...

 

Pai Amado!... Amado Pai!...

Tu és o Rei dos Universos!...

Agradeço  os belos versos,

Por torná-los imortais!

Pelo explêndido pensamento,

Tu me deste o sentimento,

Que em minh'alma perpetua.

Agradeço-Te  a canção

E o poema  n'amplidão...

Vendo o Mar, o Céu e a Lua!



Pacco



Paulo *13h53






 

A deusa dos meus cantos

 

Tu és o meu maior encanto nesta vida...

A estrela mais brilhante, a iluminar minh'alma,

Que outrora estava enleio a imensuráveis traumas,

Ao ver a orquestra inglória, e a Música entristecida!

 

E esqueço as ilusões dessas canções perdidas...

Ao imaginar-te amar... Donzela estrela-d'alva...

Que adorno um mar de afeto a transbordar em palmas,

Na glória de tu'alma — ardente e enternecida!


Tu sabes, oh! Princesa, onde esse ardor flutua:

É ver-te deslumbrante, a adocicar meu pranto,

Que chego a delirar  quando tu ficas nua...

 

Tu, Ninfa!... Musa amada, a deusa dos meus cantos,

Onde eu suspiro a flor  de amores  n'alma tua!...

Oh! Anjo... Meu encanto... Eu a desejo tanto!!!...

 

Pacco



Paulo *08h18





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