Fada bruxinha

 

Oh! Fada bruxinha:

Tu me enfeitiçaste,

Quando debruçaste

Nua ali nuazinha 

Co' um ar de gracinha!

Provei teu veneno,

Num beijo obsceno,

Que me tornou broto,

Mui broto e absorto 

Num largo sereno!


Deixaste minh'alma,

Qual Lázaro roto,

Co' um jeito maroto,

Tocando-me as palmas!

Tiraste-me os traumas,

Quando reviraste

  Na alcova  destarte!...

Deixando-me insano,

E um tanto profano 

No esmero das Artes!


Debruço em teu leito,

Num imenso traçado,

Todo enfeitiçado,

Bem mais que perfeito!

Num engenho insuspeito:

Fizeste u'a mandinga,

Co' a minha moringa,

Que a brisa adornou...

E me transformou,

Em meio à restinga.


Oh! Fada mais linda,

Eu fico mui louco

Por esse amor louco,

Nu'a ida e entrevinda...

É que a vejo linda,

Mui bela e formosa!

Oh! Fada amorosa,

Teus olhos ardentes

 São mais reluzentes 

Qual estrela ardorosa!

 

 Pacco



Paulo *11h58






 

Voejar pelo infinito

 

... Amar-te é voejar pelo infinito,

Vendo os planetas a adornar o céu...

Num mar de olor, e desfraldado ao léu,

Em teu lindo e estrelado véu, que habito!

 

Presumo que este amor já estava escrito...

Nas linhas do horizonte, além dos céus...

No brilho das estrelas  qual vergel,

Nesse universo imenso, qu'é irrestrito!


Degusto o teu perfume inebriante...

Que exala do teu corpo em longos laços,

No ventre e nos abraços delirantes...


E fico em meio à imensidão do espaço,

Num carrossel brilhante e estonteante...

Flamante, a me enfronhar em teus regaços!

 

Pacco



Paulo *14h15






 

Minha casa


Minha casa é de madeira,

Feita de jacarandá;

Tem varanda e uma soleira,

De palmeira-carandá!...

Onde eu fico de bobeira

 A exalar o resedá ,

Na beleza d'uma princesa,

Deslumbrando a Natureza!


No quintal de minha casa,

Tem uma enorme cachoeira,

Que deságua em águas rasas,

Nu'a ardorosa corredeira...

Onde as aves molham as asas,

Vindas lá das cordilheiras...

Trazem o afago a esta morada,

E à minha Ninfa enamorada!


Vivo um idílio eternamente,

Em seu colo, à imensidade...

A adornar o amor fremente,

Sinto o ardor da liberdade!...

Vou cantar liricamente,

Em sua eterna mocidade,

Pois não vi u'a só mudança,

Em suas tranças de criança!


Nasce a Lua, reluzente,

Despontando atrás das matas,

Tão formosa e incandescente,

 A brilhar sobre as cascatas...

Num esplendor  constantemente,

 Reluzindo u'a cor de prata!...

E as estrelas, flamejantes,

Resplandecem exuberantes!

 

______________________________________

 

  Ardor alucinado...


Ao fazer amor contigo,

Sinto um ardor alucinado!

Vejo-a nua aqui comigo,

Em meu quarto iluminado!...

Tento um toque, e não consigo

Trespassar teu cortinado...

Nessa alcova deleitosa,

Brilha a estrela mais formosa!


Tua cama é esplendorosa:

Tem lençóis mui alvejantes...

Onde há flores, lírio e rosas,

Qual vergel mais delirante.

Oh!... Donzela perfumosa!...

Quando a vejo flamejante,

Desnudada de desejos...

Sinto o orgasmo, em teus lampejos!


Dou-te infindos mores beijos,

Nesses lábios cor de mel!...

E em teu ser, fremente almejo

Voejar no azul do céu! 

Oh! Amor... Jamais fraquejo,

Vendo o teu corpo sem véu...

Quero amar-te eternamente,

Num esplendor incandescente!


Meu amor, tu és tão luzente...

Tens a essência dos açores

Que em minh'alma vibra ardente

 Tua centelha dos amores!

Venho a ti, veementemente,

Sobre as flores dos ardores...

Onde o amor tem mais beleza,

 Quão perfeita é a Natureza! 

 

Pacco



Paulo *12h10






 

À eternidade

 

Meu anjo, não me deixes, neste mundo...

Não vês que eu morreria de saudades?...

Desejo estar contigo  à eternidade 

Num mar azul de ardores mui fecundo.

 

Não vivo neste mundo um só segundo,

 Sem tua efervescente alacridade...,

Que sempre me levou  à imensidade,

Em teu universo ingente, tão profundo!


Tu'aura é um diamante flamejante,

Tão linda que minh'alma não resiste 

O brilho incandescente e deslumbrante!

 

E creias que este sentimento existe,

Num Empíreo etéreo e eterno ardor flamante...

Fremente e imensurável, que persiste!

 

Pacco



Paulo *11h41






 

Oh! Infausta sepultura


Oh! Infausta sepultura ao langoroso canto;

Sucumbe o divinal ardor — jaz despedida,

Nu'a combalida inglória à essência desprovida,

Num campo esmensurado ao desolado encanto!



Pacco


Paulo *16h44






 

Coroa Afiada


Quando cravaram em mim aquela longa espada,

Senti uma dor intensa a atravessar minh'alma;

Sangrava o coração co'os cravos em minha palmas,

Co'os mesmos em meus pés, e uma coroa afiada!


Pôncio Pilatos, Anás, Caifás, co' a tropa armada,

Puseram-me despido onde o corceu cavalga,

Nu'a argola semelhante aos condenados D'alva...

Nu'a mórbida tradição, co'as almas camufladas!


Os juízes saduceus, judeus e fariseus...

Lograram com demência um tribunal Tabu:

 Tu és Deus? "rei dos malditos e odiados hebreus!"


Abba, Abba, Abba, meu Pai, pois, Deus és Tu!...

Sou amado Filho Teu  chamado Galileu!

Mas batizaram-me: "Príncipe de Belzebu!"

 

Pacco



Paulo *16h35






 

Os verdadeiros gênios

 

Excluíram os nobres gêmeos,

D'uma escabrosa e vil aldeola...

Pondo os verdadeiros gênios

À mercê d'uma pobre escola!...

Que não tem nenhum proscênio,

Nem tampouco um só convênio,

Co' a estrutura universal!...

Vejo inglória  o nepotismo,

No regalo — absentismo 

Sem Cultura musical!


Sem essa essência, natural...

Desse dom que Deus criou,

'Stritamente, é essencial,

Ao Universo, que engendrou.

Mas os homens sem destreza,

'Sculhambaram a Natureza 

Num perpétuo desencanto!...

Hoje, eu vejo a desventura

Co' essas mórbidas criaturas

 Extinguindo os belos cantos!...


Pacco



Paulo *15h27






 

Musa nua

 

Oh! louco amor que invade esta minh'alma...

Ao deslumbrar a chama  n'alma tua...

Quando em meu leito, vejo a Musa nua...

E em desfraldado helianto, eu tiro a talma!

 

Meu anjo, tu és a minha estrela-d'alva

A embelezar o céu, qual Sol e a Lua...

Co' um deslumbrante véu, que em mim flutua...

Nu'a exuberante alvura, alma mais alva!


Cintila essa brancura entre os rochedos...

Da incandescente flor  sob teu manto,

Num efervescente ardor, sobre os fraguedos...

 

E sinto na amplidão —, que osculo tanto...

Fremente no teu corpo, em teus segredos...

Ao ver tua essência deslumbrar de encantos!...

 

Pacco



Paulo *15h26






 

Flamígeros momentos


Não sei como explicar o amor que sinto;

É um sentimento enorme, tão profundo...

(Quisera, enfim, poder bradar ao mundo,)

Dizer como é tão lindo o que pressinto!


Pressinto que este ardor será inextinto:

Nos vales, nas montanhas, num além-mundo...

Deveras, este amor é o mais fecundo...

De todos os amores  mui distinto!


E a vejo nos flamígeros momentos,

Tal qual rubente flor  constantemente,

Co'as pét'las reluzindo os movimentos!


E afirmo à estrela, mui saudosamente:

Que ali, nu'a espuma habita o firmamento,

P'ra qu'eu a adore sempre suavemente!

 

Pacco



Paulo *15h11






 

Perdoe-me


Perdoe-me por amar-te ardentemente,

Ao vislumbrar tu'alma, noite e dia...

E almejo estar contigo  todo dia...

Nas chamas do teu corpo incandescente!


No dia em qu'eu te amei perdidamente,

Senti minh'alma arfante em demasia,

No brilho de tu'aura  em travessia,

Qual luz do Sol brilhando intensamente!


Ao desfraldar à luz, que em mim incorpora,

Tão cintilante e ardente e exuberante...

Oh! Musa... Tu és amada desde outrora!


E ao desnudar teus seios alvejantes,

Mergulho nesse ardor que invade a aurora,

Flamante nos teus lábios flamejantes!...

 

Pacco



Paulo *14h33






 

Veneno adocicado


Tu és o meu veneno adocicado,

A inebriar minh'alma além da morte...

E desconheço antídoto mais forte,

Mais forte que esse ardor alucinado!


E fico a imaginar: será pecado...,

Por ter adquirido a honesta sorte?...

E rogo a Deus, amor... que tu suportes,

— O meu desejo arfante e exagerado!


O mel que vem da fonte dos teus lábios,

Tem gosto virginal de pura essência

De rosas perfumosas, em meus lábios.


As pé'tlas que eu exalo em complacência,

Num esmero divinal, co' ardentes náblios 

Degusto o néctar em tom de confidência!

 

Pacco



Paulo *14h20





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