Esdrúxula Fantasia


Devo estar louco na harmonia sinerética...

Co' a apogiatura breve em semibreves tratos,

Num fósmeo ardente arpejo e em longos pizzicatos,

Na arcada airosa... nu'a melisma mui poética.


No arroubo, enquanto escrevo u'a melodia sistética,

Nu'a flébil insensatez... num infindo inócuo ato...

Foi quando me enfronhei a perscrutar os fatos:

Tão parvo era um ignóbil a esculhambar a estética!


Deus meu: dai-me destreza ou um arioso canto,

Para qu'eu ponha Jazz na Esdrúxula Fantasia 

Que faz chorar minh'alma  esse loquaz d'espanto,


Tão mórbido e belicoso e sem nenhuma harmonia...

'Stou pronto a improvisar para enlutar meu pranto,

Que outrora assim sonhei  voejar nu'a Sinfonia!

 

Pacco



Paulo *13h37






Oh! Rútila harmonia!


Oh! Rútila harmonia em desfraldado encanto,

Onde eu, poeta, esmero uma tessitura à altura,

Nu'a arfagem imensurável e indubitável canto,

Sem tantos devaneios  à margem de impostura!


E esbulho a dor fremente aos ínvios desencantos...

Ridente ao engendrar uma etérea partitura...

Que os bardos regozijam ao deslumbrar o canto,

Repleto de aventura —, uma odisseia pura!


Oh! Música divina... A mais bela das Artes!...

Oh! Inexorável ardor, qual eco em profundeza,

Que ecoa no Universo um semitom, dest'arte!...


... Regendo essa beleza em magistral destreza:

Deus mostra, em transcendência, a verdadeira Arte,

Que outrora troxe a Luz, o Som e a Natureza!

 

Pacco



Paulo *13h36






Cantos vaporosos


No idílio dos teus cantos vaporosos,

Num exílio sepulcral de ardor funesto,

Que inflama a alteridade a ser molesto,

Qual dois perfis senis  tão aleivosos!


E estão tão combalidos e viscosos...

Tal lodo escuro e tétrico e desonesto,

Nu'a insensatez lodosa em manifesto...

De fato, devo crer — são mui queixosos!!


Oh!... Céticos arpejos camuflados...

Denotam inglórias aos menestréis — cantores!,

Na Música mais bela  o Jazz alado!... 


... E os fétidos odores dos horrores...

Trespassam a imensidão na Europa, em Fados...

Bordando a dor infame aos dissabores!!...

 

Pacco



Paulo *13h35






Meu ninho


Quisera ser, um dia, um simples passarinho...

Voar para algum canto, onde há felicidade;

E ver o sol nascer em plena liberdade,

Co' a luz, lá no horizonte, a iluminar meu ninho.



Pacco



Paulo *13h38






Teu soneto alexandrino


Quando engendrei o teu soneto alexandrino...

Soavam em minha mente uns deslumbrantes versos;

Decerto era tua voz bradando no Universo,

Ouvindo o meu clamor num etéreo repentino.


Vaguei num mar azul  tão belo e cristalino,

Seguindo o verso e o eco em vagas sem regresso;

E eu delirava assim, mesmo te amando imerso,

— Ficava a contemplar o teu bradar divino!


E quando assim sonhei rever-te nesta vida,

Num corpo de mulher  qual bela estrela-d'alva,

Qu'em versos, mui clamei, que fosses minha querida


A iluminar o afeto, o afago que me acalma ,

Qual D'alva cintilante  a estrela enrubescida...

Indubitavelmente  embeveceu minh'alma!

 

Pacco



Paulo *11h45






Sonhar contigo


Nem sei como suporto a dor que sinto n'alma;

Morrendo de saudade..., e estou aqui sozinho...

Sozinho a imaginar a cor dos teus olhinhos

Da cor azul-marinho, a iluminar minh'alma!


E fico na alvorada, enquanto a bruma acalma,

Sumindo lentamente, assim bem de mansinho,

E embevecido a vejo à beira do caminho,

Com pét'las em meu ninho a perfumar noss'alma.


Tu és o meu maior encanto, nesta vida...

Oh! Musa amada flor , eu te venero tanto!...

E a quero neste canto etéreo  prometida...


Por toda a eternidade, eu viverei sem pranto...

E espanto o desencanto... Ó triste despedida!...

Mas vou sonhar contigo —, aqui te amando tanto!

 

Pacco



Paulo *11h44






Ninfa Gueixa


Tu és a minha gueixa mais formosa,

E vou amar-te assim, tão docemente,

Num etéreo azul do céu, incandescente,

E assim morrer de amores, oh! Mimosa!


Teus lábios são duas pétalas dengosas,

E u'a rosa que me faz te amar contente...

Qual colibri se enfronha ousadamente,

Nas pét'las suntuosas e deleitosas!...


Tu és tão linda, oh! Ninfa, gueixa amada,

Tão bela e exuberante  qual brilhante,

Num anelo a desfolhar tu'alma olhada,


Nu'a alcova alcantilada e deslumbrante...

Mergulho em teus desejos, na alvorada,

Qual Sol ardente em escumas delirantes!

 

Pacco



Paulo *11h43






Bela Gueixa


Sonhei que tu sumias no deserto,

Co' o vento a balançar em tuas madeixas...

Que outrora via em ti  u'a linda ameixa

Voar sobre meus os olhos tão despertos!


E ao ver teu corpo nu  tão bem de perto,

Vejo através d'uma estrela, oh! Bela Gueixa...

Que faz vibrar minh'alma e sempre deixa,

Um encanto em meu olhar  puro e liberto!


Ao ver-te, oh! doce amada... ah! Que prazer!...

Meus lábios não se cansam de arrulhar

Tão doces poesias  comprazer!...


E digo ao mundo inteiro  assemelhar...

Igual ao nosso amor, qu'é um bel-prazer...

Não existe amor igual  qual teu olhar!

 

Pacco



Paulo *11h42






Oh! Doce amada flor!


Sonhei que contemplava as flores extremosas,

Em teu belo jardim  florido de carícias...

Na relva, ao mergulhar, tão cheio de delícias,

Sugava o néctar, o mel das rosas perfumosas.


Ao me enfronhar no olor, no meio dessas rosas,

Voei sobre teu leito, em pétalas macias...

Tão belas a exalar um odor em demasia...

Ficava a suspirar tuas flores mais formosas.


Te amei qual lira ardente em teus luzentes seios,

Veemente a delirar  no encanto desse olor...

Num oscular d'ardor, de infindos devaneios...


Vaguei sobre teu corpo em desfraldado ardor,

Num beijo mui fremente e sem nenhum receio,

Seguindo o teu cursor... Oh! Doce amada flor!

 

Pacco



Paulo *11h40






Delinquentes


Suspiro teu perfume em meus segredos,

Por dias, meses, anos  desde outrora...

Nas chamas desse olhar, que me devora,

Que aflora a espada nua entre os rechedos.


E faço amor contigo, em versos ledos,

Nu'a alfombra cintilante, em infinda aurora...

Que implora pro universo não ter hora 

Enquanto não entender os teus degredos!


E nesse amor repleto de tortura...,

Vagamos na fissura  delinquentes...

Tombando nos soslaios de aventura.


Se faço amor contigo  inconsciente...

Tu vais levar-me a eterna desventura...

— Se um dia tu ficares infrequente!

 

Pacco



Paulo *11h39





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