Comigo mesmo

 

Nem sei por que 'screvo tanto,

Por ter sido um trovador?

Certamente, é pelo encanto...

Por eu ser compositor?

 

Eu sei por que amo tanto

Ver o céu, o mar e a cor...

Num orvalho há tanto encanto,

Quando envolve aquela flor.

 

Nem sei por que adoro tanto,

No voar d'um beija-flor...

Também posso ver o encanto,

Nu'a abelhinha sobre a flor.

 

Eu sei por que adoro tanto

Ver a brisa, a abelha e a flor...

Na floresta, ouvir um canto,

D'um canário, cantador.

 

Nem sei por que canto tanto...

P'ra espantar a minha dor?...

 Talvez, p'ra adornar o canto

Da Andorinha, qu'é um amor!

 

Eu sei por que adoro tanto,

Tanto, tanto..., tanto, tanto...

Que nem sei mais quantos tanto,

Tem num encanto, num acalanto.

 

Nem sei por que sofro tanto,

Se sou um bardo sonhador...

Entretanto, enxugo o pranto,

Ao versar no resplendor.

 

Só sei por que choro tanto —,

Quando vejo o mal no andor;

Com certeza, é o desencanto...

P'ra enlutar todo esse ardor!...

 

Paulo Costa (Pacco)



Paulo *19h19






Encantos na mata

 

... Era madrugada

E andava sozinho,

Num ledo caminho,

 Nu'a mata fechada...

E as minhas pegadas

Deixadas nas folhas,

Sobre aquelas bolhas

De orvalho, na relva,

Onde a grande selva

Guardava a enseada.

 

Deitei-me na mata,

P'ra olhar as estrelas,

E as borboletas,

  Qual lua doirada

Cruzando a chapada,

 Num azulado céu...

Com cheiro de mel

Na flor do horizonte,

Lá atrás desses montes,

De infindas quebradas.

 

Fiquei de paquera,

Co' a luz da esmeralda,

Sentindo minh'alma

  Voar sobre a serra!

 E nessa paquera,

Como um passarinho

Circula seu ninho

 Na aurora a cantar...

    Ficava a vagar...

Nessa atmosfera.

 

... Inda madrugada,

U'a orquestra de sapos

Batiam seus 'papos',

 Prosando u'a toada!...

Entrei nessa estrada,

  Num só movimento...

E em meu pensamento,

Houvesse um castelo,

 Co' um canto tão belo...

Qual essa morada.

 

Nessas passarelas,

As flores se abriam,

E assim se exibiam

Pr'u'abelha mais bela;

E as outras donzelas

Pousavam nu'a pinha,

Seguindo a rainha,

 Num voo melindroso...

 Qu'é mui sonoroso

Valsando com ela.

 

Cruzaram u'a pinguela,

Bem perto de mim;

No meio do capim,

Fiquei na olhadela,

Vendo as molhadelas

  Nu'a grã catarata...

Dei u'a de acrobata,

Cruzei o carvalho

No meio dos galhos,

  E fui atrás delas!...

 

Olhei noutra fresta:

Uma linda joaninha,

Num mar d'estrelinhas,

Cruzando a floresta,

Pousara em minha testa,

Co'as asas vibrantes,

  Bem mais qu'excitante!...

Flertou toda a fauna,

Soprando em minh'alma,

Um encanto de festa.

 

Estava tão fria

A brisa na mata,

Onde a passarada

  Cobria sua cria

Enquanto dormia.

Ao longo do rio,

Senti um arrepio

  Ao ver a grandeza

 Um mar de beleza,

Nu'a infinda harmonia.

 

Oh!... doce alegria

Sentia em meu peito,

Bem mais que perfeito,

 (U'a enorme euforia!...)

Quem mais ousaria

'Screver esses cantos,

Ardentes d'encantos,

  Tão cheios d'amores

Co'as mais lindas flores,

Nu'a só cantoria?

 

... Na curva do rio,

Vi u'a passarada

 Voar sobre a mata,

   Pruns galhos macios...

Que são vitalícios,

No campo florido,

Co' o sol colorido,

 D'encanto sem-fim...

Luzindo o jardim,

Repleto de lírios.

 

Na margem do rio,

Um só passarinho

Fazia o seu ninho,

Num canto sadio.

Ouviu um desafio,

Na mata orvalhada,

P'ra aquelas ninhadas,

 Nos galhos, sem-fim...

Onde os Querubins

Pousavam em delírios.

 

No alto do rio,

Uma linda cigarra,

Sobre u'a alcaparra,

Curtia o plantio!

Seu canto se ouviu

Em tom de seresta,

Num vão da floresta,

Sem um regimento,

Num só movimento,

Sua imagem d'esguio!

 

Cantava o tiziu,

No azul da floresta,

  Num clima de festa

Topou o desafio!

Seu canto é sutil,

Na relva suspensa,

Na mata qu'é imensa,

Cheia de mistério...

 Onde há refrigério

Num simples psiu.

  

Surgiu um canarinho

Fazendo um improviso,

Num coro preciso,

C'outros passarinhos:

Pardais, azulinhos,

Tuins, tangarás,

    Chupins, sabiás!...

Cantavam encantados,

Tão apaixonados...

Co' amor e carinho.

 

Num ar bem macio,

O vento na mata

Soprava a cascata,

  Num alegre assobio...

E um canto tardio

D'um belo nhambu

Chamou o tuiuiú,

P'ra ouvir seu cantar,

Na aurora a bailar,

  Num eterno elogio...

 

... E o grã jaburu,

Que 'stava assisado,

Voava apressado,

  Co' amigo urubu...

Quando o uirapuru

Soltou, lá da serra,

   Seu canto de "guerra"!...

... E toda a floresta

Fez u'a grande festa,

Co' o seu Cururu!

 

  Paulo Costa



Paulo *16h00






amaranto Amaranto: Vegetal redutor de colesterol

Um soneto a Adriana Carvalho

 

Este soneto foi escrito a pedido do amigo Antônio Carvalho

Uma homenagem para sua amada esposa.

 

Tentei moldar teu nome em minha janela,

Ao deslumbrar as flores do amaranto...

Que traz o encanto a enxugar meu pranto,

Ao vê-la assim tão bela  qual donzela!

  

E a procurei nos mares..., nas estrelas,

Tualma singular que abrasa o canto...

Que doo minhalma num abraçar de encanto,

E embevecido... (vejo a flor mais bela!)

  

Tu és tão formosa  ó imagem soberana...

Neste poema, em moldes tão brilhantes

Qué o teu olhar flamante, que me inflama...

  

... E ao encontrar minha estrela exuberante:

Viro ua criança  ó minhamada Adriana,

A navegar em sonhos deslumbrantes!...

 

Paulo Costa



Paulo *23h43






 

Não era sono

 

Não era sono

O queu sentia...

Era um colono

Nua fantasia.

Nessa euforia,

Eu via as asas

Sobre essa casa,

Qual Querubim

Dizendo assim:

"Solte as aldravas!"

 

Ouvindo um canto

Em demasia...

Trazendo o encanto

Nua poesia!...

Fui nua magia,

Soltando a aldrava

Que se encontrava

  Dentro de mim!...

  E o Querubim...

Regozijava!

 

Jamais esqueço

Aquela noite...

No recomeço

Sem mais açoite.

Foi nessa noite,

Sem mágoa e dor,

Sentindo o ardor,

Que nem mereço

   Aquele apreço

(Souum trovador!)

 

E via o dia,

Na noite fria,

 Na moradia

  Sem agonia!...

Na galhardia

 Em queu vivia,

Ua imagem via

O queu sentia,

   E assim faria

Todos os dias!

 

Paulo Costa



Paulo *11h09






O Saber por não Saber

 

" sei que nada sei." Já li essa frase!

 

Ah, se soubesse de alguma coisa...

Tudo não seria assim tão simples, mas se assim o é...!

É por uma boa razão, por não saber o que não se sabe.

 

Ou seria uma ilusão saber?

 

Ilusão por saber que..... Tudo sabem!

Ora, saberia que nada sei!

 

Se soubesse de alguma coisa...

Essa coisa seria ou teria algo a saber?...

 

Se não sei de coisa alguma no saber que se sabe,

Que julgam saber o que nada sabem...

De certa forma, não saberemos onde e nem quando

Devemos buscar a sabedoria no saber de quem sabe.

 

"Quem sabe?...".

 

Saber é um defeito por saber que sabe

E que não deveria nunca saber.

 

"Nunca se sabe!".

 

Por imaginar saber que sabes e,

Por que, ele não procura saber o que ainda não sabe...

Isso os levaria para o real saber que não sabem

Como é verdadeiramente aprender a saber o que não sabem.

 

"Não quero nem saber de quem sabe!".

 

Por pensar que sabe...

É uma cenografia da cumplicidade por um sabor

Da mais amarga ilusão de imaginar e achar que sabe.

Simplesmente por não saber e pela simples razão de ser

E não conhecer o saber..... É sofrer por não saber viver!

 

"Vai saber!...".

 

Sofrer igualmente é saber que vivemos sem saber o real sofrer

Por não saber, por não querer sofrer sem saber por quê.

 

O sofrer por achar que o saber é simplesmente uma razão de viver...

Viver o sabor do saber, mesmo sabendo que o sofrer também é viver;

Saber por saber o que ainda não sabemos e, talvez nunca saberemos.

Aprender a sabedoria do saber é saber que nada se sabe!

 

Paulo Costa



Paulo *10h42





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