Meu relógio 

 

Minha canção está dormindo,

E eu aqui  desconcertado...

Assim mesmo, vou fingindo...

 Ser um bardo desastrado.

 

Forte e bem-apessoado...

Vou fingindo qu'estou bem;

Mas não sou desentoado...

Nem tampouco joão-ninguém!

 

Meu relógio está parado

Nem dei corda p'ra acertar;

Mas o tempo trouxe o Fado,

P'ra qu'eu possa Concertar!

 

Paulo Costa



Pacco *14h09






Tanta besteira

 

Já 'screvi tanta besteira,

Tanta coisa sem valor...

Nesse estóico em verde flor,

Muito além dessa fronteira.

 

Hoje, eu vivo de bobeira,

Sem entender aquele ardor...

Qu'esfumava o nosso amor,

— Na soturna pirambeira!

 

Tanta coisa eu te ensinei,

P'ra evitar essa armadilha...

Pois, tu viste um rei, qu'eu sei,

 

'Screver prosa em redondilha,

Co'o mais novo vice-rei —

Num revel de cê-cedilha!

 

Paulo Costa



Pacco *18h21






Papel de Parede - O Salvador da Medusa

Amigo qu'é amigo

 

Amigo qu'é amigo,

  Daria a sua boia,

Num mar de jiboias,

 Prum simples mendigo?

 

 Mas quem faria isto,

  Em meio às jiboias,

Herdar a sua boia,

Tal qual Jesus Cristo?

 

É nesse imprevisto,

Que há grande tramoia

Co'o falso anticristo...

 

Num asilo e nas joias...

Ó plano esquisito —,

Co'as grandes jiboias!

 

Paulo Costa

 

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Os crapulosos!

 

Eis as pedras que vagam desoladas,

Nas prisões dos castelos escabrosos...

Mergulharam nas hórridas ciladas,

Com as ervas no inserto  os crapulosos!

 

Maldições vêm de vós, nas emboladas

Armadilhas... D'espectros nebulosos,

No alcantil das frementes punhaladas,

Co'os insanos, nos ermos langorosos.

 

Vossa língua é u'a espada de dois gumes,

Qual malditas serpentes nos escombros,

Na emboscada que ronda seus costumes...

 

Quando inglória, profanam nos assombros,

Com os ímpios ardendo nos queixumes,

Na irrisória justiça em vossos ombros!!

 

Paulo Costa



Pacco *03h24






Nada se cria, nada se perde,

tudo se transforma.

(Antoine Lavoisier)



Pacco *18h21






Ó triste solidão

 

Ó triste solidão que sonda a minha calma...

Sonhar na escuridão, co'o som ness'amplidão,

Em tudo que 'screvi nessa ventura — e não

Sentir u'a só canção, que acarinha minh'alma.

 

Paulo Costa

 

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Papel de Parede - Gato Preguiçoso

Minha Viola

 

É no mar que o rio deságua,

Toda sua mansidão!...

Quando passa em meu sertão,

Forma u'a imensa queda-d'água...

Trazendo a linda mãe-d'água,

Co'os deuses a navegar...

Onde a chuva vem brincar,

P'ra molhar o meu cerrado...

Qu'é tão pouco arborizado,

Mas enfim, um bom lugar!

 

Minha viola é caipira...

Acordes soltos ao vento...

Enche o ar de sentimento,

Debaixo da sucupira.

Dedilho ao lembrar da lira,

U'a paixão nos tempos idos...

O arpejar num som doído,

Vendo a lua em devaneio...

Improviso mais floreio,

Neste campo tão sofrido.

 

Faço até o raiar do dia,

Quando toco a minha viola...

P'ra tocar u'a barcarola...

Soa tanta melodia!...

O que faço com alegria,

Lá na beira do cerrado...

Isto sim, qu'é um eldorado!...

Vendo a lua co'a charmosa,

Se escondendo tão formosa,

Por detrás do penteado.

 

Cantava um repente em oitava,

A chorar de tanta dor!...

Quando eu via aquela flor,

Pois, só ela me escutava!

Contudo, me incentivava,

P'ra tocar a minha viola...

E fazer uma nova moda

Diferente das que sei;

Quem sabe, crio outra lei...

P'ra sair desta gaiola.

 

Paulo Costa

 

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Os passarinhos

 

... Saudade do bem-te-vi,

Nas palmeiras do sertão...

Que cantava, em meu portão,

Junto ao pé de juquiri;

Onde mora um colibri,

Bem mansinho e tão mimoso,

E que voa mui formoso,

Ao redor da flor mais bela...

Sempre traz u'a flor pra ela,

P'ra encantar minha juriti.

 

Canarinho, canarinho...

Quando canta, lá na mata...

Fico à beira da cascata,

Bem juntinho de seu ninho...

E vem outro amarelinho,

Traz no galho u'a bela flor...

Nu'a canção, cheia d'olor

A encantar este poeta...

Onde a natureza empresta

Tão formosos passarinhos!

 

Deus criou todo esse encanto,

Pondo os anjos na floresta,

Onde os deuses vivem em festa,

P'ra 'spantar o desencanto.

Quando ouço os belos cantos,

Dá vontade de chorar...

Faz minh'alma levitar

Na mais simples melodia...

Que transformo em sinfonia,

Para adocicar meu pranto.

 

Mas, meu lindo sabiá,

Tão canoro, que se foi...

Nunca mais ouvi seu oi...

Nos galhos do jatobá.

Hoje, eu fico a lamentar,

Nas caatingas do cerrado...

Onde vejo tudo errado

Quando prendem os passarinhos...

As gaiolas viram ninhos...

Impedindo-os de voar!

 

Paulo Costa



Pacco *11h29





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