Lula lá

 

Lula é Lula... Lula lá...

Faz firula  pra adular...

Com sua mula, Lula burla...

A pular  de lá pra cá!

 

Saci..., Saci-pererê... 

Duende, tu és mui travesso;

Tu deixas tudo no avesso,

Fazendo um mor fuzuê!

 

Saci..., Saci-pererê...,

A erva do teu cachimbo

É a marca do teu carimbo,

Revelanco vosmecê!

 

Só tu..., Saci-pererê

Consegues fazer melhor...

 Ninguém desata teu nó —,

Que deste no comitê!!

 

 

Os sarnentos no Senado...

Quando perdem o tal mandato...

Já promovem um candidato,

P'ra ser outro pau-mandado!

 

 

Pacco



Pacco *14h18






Além do nada!...

 

Será que o nada não vai dar em nada?

Sem nada... sem mais nada, nada em nada?

Nem mesmo o nada vem assim do nada!

 

Enquanto o nada nunca fora nada...

Nada no nada  simplesmente, nada...

Sempre nada para encontrar mais nada

 

A navegar em nada... rumo ao nada

Sem dizer mais nada... onde tudo é nada.

Quanto mais nada, sem saber de nada...

 

Nada pro nada, que não seja o nada...

No vazio do nada... em mil vezes nada...

No nada em que o nada é nada mais nada...

 

Além do nada!...  Nada, nada, nada...

 

Paulo Costa



Pacco *20h08






O Maquinista

 

I

Minha primeira Fantasia

Transformou-se em Sinfonia —

Repleta de aventura.

Era u’a simples melodia

Que sonhei, num belo dia —

Reger na partitura.

 

Quando acordei, naquele dia...

Oh! Quantas imagens eu via...!

Pareciam bem reais.

Inda estava mui confuso,

Ao ver tudo aquilo incluso —

Para mim, era demais.

 

Achei que estivesse a sonhar...

E comecei a m’enfronhar

Naquilo que sentira.

U’a Viola e um Violoncello,

Soava um som singelo...

Foi tudo qu’eu ouvira.

 

Com’um passo de mágica...

A inspiração foi lógica —

Entendi como ‘screver!

A Orquestra soava inteira,

Uma total "quebradeira" —

Difícil de descrever!

 

"Poco a poco" foi crescendo

O qu’eu ia escrevendo —

Na mor seriedade!...

Mui "allegro" em cada trecho,

Sincronizava o desfecho...

Co’ mais sonoridade.

 

O Maquinista — mui moço...

Deslizava em "più mosso" —

O trem Maria Fumaça.

Num dueto... Solfejava

U’a melodia em oitava,

"Dolce" e cheia de graça.

 

Vibrava o tom em Ré menor,

Co’a sonoridade — Tenor...

Às vezes — Barítono!

Entrelacei todos os sons

Diatônicos e semitons —

Numa manhã d’Outono.

 

Já estava chegando o Inverno...

Quando mudei de caderno —

Pr’aumentar a percussão.

Adicionei mais Tímpano —

P’ra executar co’o Piano,

E ‘screvi u’a progressão.

 

De repente, veio um breque,

Por causa d’um calhambeque —

Cruzando a linha do trem.

Foi um enorme sacolejo,

Que assustou o sertanejo —

Lá naquela passagem.

 

II

Máquinas em movimento

Contrário — deslumbramento

No eco das cruzadas.

Quando estrugiam os tambores...

Lembravam os compositores —

Nas grades sincopadas.

 

Belo comboio — tão longo...

Dançava com’um fandango,

A balançar co’o vento.

Estava em terra espanhola,

Quando vinha a ventarola —

Dos trens no cruzamento.

 

Passavam tão velozmente —

Que o som soava na mente,

Um zunir d’arrepiar.

Soava um belo harmônico...

Pena que foi lacônico,

E não deu p’ra copiar.

 

III

Assim que saí da Espanha...,

Surgiu u’a linda montanha,

E havia um grupamento.

Um barulho ensurdecedor...

Dos cavalos sobre o pendor —

Num festival sangrento.

 

Nesse instante, vi os Índios

A defender seus princípios —

Na invasão da terra.

As mulheres com seus filhos,

Outros na beira dos trilhos,

U’a verdadeira guerra!

 

Soldados co’as suas bandeiras,

Saltavam sobre as caldeiras...

Num gesto ameaçador.

Na tribo, os grandes guerreiros,

Dão sinais pros estrangeiros —

Que não são da mesma cor.

 

IV

Nos grandes montes gelados...

Uns véus de noiva nos lados —

A encher de alegria...

Inda naquele momento...

Que ‘stava em deslizamento —

Parecia u’a sangria.

 

Nas cordilheiras de gelo...

Tratei de usar um capelo —

Para não me resfriar.

O frio era muito intenso,

Chegava a ficar mui tenso,

Mas ficava a inebriar.

 

V

Quando vi — o país Brasil...

Verde, amarelo, azul anil...

Num alegre festival...

Grandes escolas de samba,

No batuque da macumba —

Majestoso carnaval.

 

Orixá, Saravá, Xangô...

Baiana, pisa na fulô...

Estandartes e bonecos.

Na barrica — o som do tambor,

Surdo, tamborim e agogô...

Pandeiros e reco-recos...

 

Rei Momo, co’as suas mulatas...

Nos carros co’os diplomatas,

A luzir e a perfilar.

Passistas, porta-bandeira,

Mestre-sala e capoeira —

N’avenida a desfilar.

 

VI

Passando pela África...

Olhei uma jaguatirica

Na beira d’uma cascata.

Fiquei tão maravilhado

Com aquele animal malhado...

Que se embrenhou na mata.

 

Opa! Calma — Elefantes!...

Avistei dois brutamontes

Com suas orelhas longas...

Eram a mãe e seu filhote,

Que estavam em convescote,

Numa daquelas bandas.

 

Transformei em acalento,

E adagio no andamento —

U’a melodia sutil.

Cantava em modo dórico...

Um ingênuo canto lírico,

Àquele bebê gentil.

 

VII

Logo ao sair da África...

Dei de frente co’a fábrica,

E saía um caminhão...

Já estava em Nova Iorque,

Quando houve um entrechoque —

U’a tremenda colisão.

 

Mudei a escala harmônica —

Toda p’ra hexafônica —

Inspirado em Debussy.

Tensão n’atonalidade —

Contraponto e austeridade —

Movimento em frenesi.

 

Estava agora em direção

Ao centro — num’apresentação

D’um desfile militar!...

Foi um corre-corre — geral!...

A banda em frente à catedral,

Começou a transitar...

 

O trem perdera o seu freio,

E a multidão — no passeio...

Sem saber o que fazer.

Mas, o andamento era più,

Por sorte, ninguém se feriu —

P’ra não ter o que dizer.

 

O desespero foi total!...

O trem intercontinental —

Saía da cidade...

O Maquinista, assertiva,

P’ra toda sua comitiva —

Que fora u’a novidade.

 

VIII

No deserto do Saara...

Precisou usar máscara,

Para cobrir seu rosto.

O vento soprava a areia...

Que enfraqueceu a correia —

Logo do lado oposto.

 

O pé de vento balançou

Tod’o comboio, e castigou

Seu desenvolvimento.

Estava a cento e cinquenta...

E no meio d’uma tormenta...

Surgiu um vazamento.

 

Balançou p’ra lá e p’ra cá...

Travou inteira a‘lavanca,

E não tinha o que fazer.

Nesse instante — só restava

Rezar — para que a trava

Pudesse se refazer.

 

Se ao menos tivesse freio...

Não teria tanto anseio,

E poderia parar.

Mas, nem podia examinar...

A ventania ia lhe jogar

Para fora e afugentar.

 

IX

Quando decidi que a história,

Tinha que ser a trajetória —

Em direção ao Japão...

Vi a ponte estremecendo —

De ponta a ponta, e, tremendo

Os trilhos com’um cordão.

 

Um terremoto — assustador!...

O Maquinista e o contador

Sorriam da agitação.

Quando a Maria Fumaça —

Passou!... Quebrou a vidraça,

A corrente e a ignição.

 

Por sorte, a ponte veio ao chão...

Depois que o trem passou o cordão —

Na rigorosa pressa.

Os destroços alargados,

Mostrando os antepassados,

E o som do sino — cessa!

 

Por alguns minutos — calou!...

Só se ouviu o som que soou

Da ponte a desmoronar.

Foi um barulho estridente,

Que alertou — toda essa gente —

A cantar p’ra não chorar.

 

Não era u’a escala eufônica,

E sim, u’a pentatônica...

E o sino volta a soar!

Descompassado — é certo!...

Não era nenhum concerto,

A não ser — p’ra unificar.

 

Depois que vi a fronteira...

Não passou d’uma zonzeira —

Que jamais imaginei!

Fiquei tão impressionado,

Co’ aquele imenso tornado...

Mas agora, é qu’eu sei!...

 

Sei o quanto vale a pena,

Ter esperança — na arena,

Enquanto estiver vivo!

A cega e inútil solidão...

Só dilacera o coração —

Num punhal alusivo.

 

X

Num desfiladeiro extenso,

Fui embrenhando, descenso —

Até o centro da terra!

Ouvia um incomparável

Flagelo, incomensurável —

Na escura e longa serra.

 

Nos báratros, lá, bem fundo...

Revelava um além-mundo —

De poços escabrosos.

As lavas encobriam os trilhos,

Formando vários fornilhos —

Um tanto lamentosos.

 

Logo ao entrar na caverna...

Surgiram várias cisternas,

De torrentes lamaçais.

Um clarão incandescente

Abrasava as nossas mentes,

Num tormento, ouvindo os ais.

 

Um estranho mau cheiro no ar,

Começou a aterrorizar

Todos os passageiros.

Parecia entrar nu'a sauna,

Que ia ‘squentando a noss’alma,

Tal qual um fogareiro.

 

O abrasamento era ardente...

Chegava a ranger os dentes —

Difícil de suportar.

Mas..., continuei a escrever,

Com o meu suor a derreter —

O qu’eu vira p’ra contar.

 

Vi tod’os meus inimigos —

Lamentando dos castigos —

A chorar de tanta dor.

Nas lágrimas dos errantes —

Saltavam várias serpentes,

E ficavam ao seu redor.

 

Infinitos gritos d’horror...

Quando vinha o dominador —

Fazer mais um suplício.

As correntes torturavam

Os rebeldes... E os jogavam

Num enorme precipício.

 

Ó lívidos, murmurantes!...

Por que não chorastes antes,

Quando inda eram vivos?

A assombrosa desventura

Destroça — tod’a ossatura...

Dos gestos ofensivos.

 

XI

Ao longe..... Roda gigante,

Carrosséis, circo e mirante —

Pr’alegrar o coração.

Para erguer — sua bandeira...

Na vida..... De brincadeira —

No parque de diversão!

 

— "Senhor... O parque vai fechar!..."

 

Paulo Costa



Pacco *13h12






O Bêbado

 

Vejo a música e a poesia, tal qual aquela história do bêbado:

 

Certa vez, uma senhora ia passando pela calçada,

quando um bêbado a abordou e disse-lhe:

"Desculpe-me, madame..., mas a senhora é muito feia!"

A dona "Feia" vira para ele e diz: — "Ô seu bêbado... Bêbado chato!"

O bêbado responde-lhe: — "Sim, dona "Feia"; hoje estou bêbado!...

Mas amanhã, eu estarei são!"

 

Moral da história:

Por mais que você escreva uma bela poesia, e se, porventura,

essa mesma contém "erros"... Amanhã, você a corrige!

 

Pakianônimo



Pacco *17h06






Música

 

A Música é uma janela

Que nos leva para o céu...

Donde vejo u'a linda estrela,

Dedilhando sons ao léu...

 

Não, não quero fazer versos,

 Simplesmente por fazer...

  Quero escrever poesia...

Pela razão de viver.

 

(...) Batidas do coração...,

Eu rejo em doze por oito!...

Mas não mudo a expressão,

Das quiálteras no introito!

 

"Sete sois desde as antigas..."

Belas notas musicais!...

Pois vos digo que são doze!...

Sem citar  modos plagais!

 

Se fizeres melodia...

Somente em lá, dó, mi, sol...

Certamente, eu embarcaria...

P'ra não ver outro arrebol!

 

Paulo Costa



Pacco *15h37






"Vagabundos"

 

A ordem é meter o pau

Nos supostos "vagabundos"...

Àqueles que salvam vidas,

E resgatam os moribundos!

 

A ordem é meter o pau —,

E deixá-los além-mundos...

Queimar os que salvam vidas,

E amparar os vagabundos!!

 

Paulo Costa



Pacco *06h27






"KOIZA MEDONHAH"

 

Ôh!... Coisa medonha!...

Tomar um baque naquela esquina...

Queimar um crack e fumar maconha,

Cheirando cola..., e cocaína.

Ôh!... "Koiza Medonhah"!...

 

Se fizerem a pior escolha...

Nos méritos em desatino...

A virtude no saca-rolha

Put's... Ironia do destino!

 

Jonas foi comprar maconha,

Lá no Morro do Alemão...

Trouxe a droga nu'a pamonha,

P'ra enganar o Caveirão!...

Co'a polícia na avenida,

Planejando outra batida

Co'expressão de carantonha!...

Jonas acena pro seu irmão

Que saiu na contramão:

"Nóis s'incontra lá em Congonha!"

 

Liberaram a saturnal...,

Vão fumar crack e maconha;

Deus me livre desse mal...

Já extinguiram até a cegonha!

 

  P'ra sair do SPC...

Só gastando u'a "puta" grana!

 É melhor ir ao PCC...

P'ra vender marihuana!

 

No cigarro tem barata...

Tem até rato enrolado;

(Traficado por pirata!...)

E co'um toque mentolado.

 

Poeira nos olhos...

Não deixa doidão;

Mas ficam zarolhos...

Fumar baseadão!

 

Um brilho

No trilho...

Delírio

No lírio.

 

Paulo Costa



Pacco *13h35






Xote

 

Quatro versos, é u'a estrofe,

Co'as palavras  pra rimar;

Pode dar um belo mote...

Pondo um xote, pra animar!

 

Paulo Costa



Pacco *09h29





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