Coletânea

 

... E filtro mais que vocês...

Na escrita contemporânea...

Quem disse  foi um escocês...

Quando ouviu minha coletânea!

 

Quando ouviu minha coletânea...

Disse: "Pacco, isso é demais!...

Ouvindo essa miscelânea...

... Serás  como os imortais!".

 

Paulo Costa



Pacco *15h15






 A Salvação

 

A indubitável promessa...

Está no seu coração!...

Pacados, ninguém confessa...

Onde 'stará a salvação?

 

Onde 'stará a salvação?...

Se somos vis pecadores!...

P'ra termos a evolução

Cantemos Fados d'amores!

 

Cantemos Fados d'amores!...

P'ra termos a salvação...

E se não formos cantores,

Não recebemos perdão?

 

Não recebemos perdão?...

Por sermos oniscientes...

E não poder ver o irmão  

Com fome, e deficiente!

 

Paulo e Madalena



Pacco *14h59






A Porca

 

A porca da dona Joana...

Fez uma obra na carroça;

Levei quase uma semana,

Pra limpar aquela joça!


A danada era pesada...

Que a carroça, despencou;

Nunca vi ser tão lesada —

Qual a dona, que a comprou!


Dona Joana é minha vizinha,

Nem cobrei nada por isso.

Logo mais vou pra cozinha,

E nem quero compromisso!...


Essa porca é bem gordinha,

Tem tutano pra dedéu...

Vou fazer u’a dobradinha,

E esquecer esse escarcéu!

 

Pacco



Pacco *00h00






Bahia

 

Ai, que saudade da Bahia...

Bahia de São Salvador!...

Bahia de Todos os Santos...

Os Santos de Nosso Senhor!

 

Paulo Costa



Pacco *13h02






O Beijo

 

Se o beijo é mui doce,

Envolvente e quente...

Que tua boca fosse

Minha... ardentemente!...

 

Se o beijo é mui doce,

E embevece a gente...

Que teu corpo fosse

Meu... suavemente!...

 

Se o beijo é mui doce,

E entorpece a gente...

Que minh'alma fosse

Tua... intensamente!...

 

Se o beijo é mui doce,

E envenena a mente...

Quisera que fosse

 Mel... Eternamente!...

 

Paulo Costa



Pacco *19h23






Luisa

 

No esplendor, nasceu Luisa,

Cintilante como o Sol...

Num jardim, tal qual a brisa

A encantar esse arrebol.

Nesse leito, (inda me lembro!)

Foi nu'a tarde de dezembro,

Que a pequena deslumbrou!...

Chorou tanto em vosso peito,

Revelando o amor-perfeito...

Que Deus Pai abençoou!

 

Paulo e Madalena



Pacco *05h11






Pacova

 

 Quem dera fazer u'a trova —

Mas, sem nada d'eloquência!

Quando fiz u'a só cadência,

Já me deram u'a baita sova!

Ficam ali — fazendo prosa...,

Pra esconder o qu'é bem-bom;

No odeon, dim-dom qu'é bom!

Sem Più mosso na condulta,

Pra evitar que a tal batuta —

Se transforme nu'a pacova!

 

Paulo Costa



Pacco *15h12






Ficheiro:Diego Velázquez 012.jpg

A Imaculada Conceição

 

Queria escrever um verso...

Mas, p’ra quem escreveria?...

Seria....., para o Universo?...

— Ou seria..., p’ra Maria?

 

Hoje lá fora está chovendo...

Mas aqui dentro é calmaria;

Quando vem o zunir do vento...

Ouço a voz da Virgem Maria.

 

Quando abri minha janela,

Vi uma enorme procissão...

Transportavam, na passarela,

A Imaculada Conceição!

 

Paulo Costa



Pacco *17h17






Trovas

 

Reverendo desceu o pano...

— Adora a xenofilia!...

Na tramoia — vai-te cano...

— “Perdone a paedophilia.”

 

Ao entrar nu’a bela igreja,

Não esqueça o tal cartão!...

Logo vem a mor bandeja...

Pra assaltar o seu tostão!

 

“Ladrão que rouba ladrão...

Tem cem anos de perdão.”

Igrejas que roubam os pobres...

Vão pro Inferno com os cobres!

 

Aarão foi um ser sagrado...

Coloriu o mar de vermelho...

Com Moisés, sempre ao seu lado,

Não ouviram um só bedelho!

 

Se usarem sábias palavras,

Para agradecerem a Deus...

Jamais ficarão nas Trevas,

Como revelou — Mateus!

 

Se as palavras, tudo agrada,

Para agradecerem a Deus...

Literatura é Sagrada,

No evangelho de Mateus!

 

Quando eu era coroinha,

Na Igreja de São Mateus...

O padre apostava em rinha,

Misturado co’os ateus.

 

Os fiéis só vão à igreja,

P’ra fazer a comunhão...

Depois vão tomar cerveja,

Agarrados co’um canhão.

 

A danada da cachaça —

É “marvada” como quê!...

Leva o homem p’ra desgraça,

Para a cova — co’um buquê!

 

Quando Deus deu-me a canção...

Escolheu Sua obra-prima!

Mas também deu-me a ilusão...

D'escrever poema e rima!

 

S'eu fosse um grande Poeta,

'Screveria u'a bela prosa...

U'a canção maravilhosa

Pra encantar o Mor Profeta!

 

... Poeta nobre e perfeito...

Foi somente Jesus Cristo!...

Por não ter nenhum defeito,

Vai vencer o anticristo!

 

Paulo Costa



Pacco *03h00






Vivo à procura do olor...

Que doçura é a poesia...

A cantiga e a fantasia...

P'ra adornar aquela flor!

 

Quando me vejo a correr,

Daqui pra acolá co'o vento;

Será que vou percorrer...

Todo aquele acampamento?

 

Minha viola tem dez cordas,

É afinada em Mi Maior...

Toco sempre as cordas soltas,

P'ra você cantar de cor.

 

— "Música aqui nada rende!"

Só'um cego que não percebe!

O "poeta", assim pretende...

Profanar  tal qual a Plebe!?

 

Quebrou outro coração,

Por ser tão ignorante!...

Mas fazer uma canção...

Não é pra qualquer feirante!

 

"Como forte e obra-prima"...

Tocaria só repente!...

Solfeja  logo de prima...

Pra iludir a tal serpente!

 

Leio um livro e cai garoa...

Bem no meio da procela!...

Mas não vou ficar na proa...

— Para ouvir a zarzuela!

 

Falando ao mundo inteiro,

Isso gera — só potoca!...

É melhor ser seresteiro,

Pra evitar a mor fofoca!

 

Já conta pro mundo inteiro...

Com certeza, é dedo-duro!...

Dedaram até o Carpinteiro —

Por ter dado u’a de maduro!

 

Já releram o pentateuco,

Na soturna dimensão...

“Pintou” logo um octateuco,

P’ra acabar co’a dissensão!

 

Num quiosque à beira-mar,

Comi muito caranguejo!...

Mas não vou acostumar,

Co’o bendito percevejo!

 

Eu sempre fico indeciso...

Já nem sei em quem votar!...

Vou ‘screver um bom improviso,

P'ra ninguém documentar!

 

Já toquei melhor cadência —

De um grande compositor!...

Hoje é um tal de Decadência,

Por não ter um bom escritor!

 

Paulo Costa



Pacco *01h26






Para morrer de saudade...

Nem precisa um grande amor;

Mas a tal felicidade...

Nessa tem que haver humor!

 

Quero mais é descansar —

De tanto que já cantei!...

Só cairá quando casar...

— Sob os rigores da lei!

 

Se faço o bem, ou bem mal...

Isso pouco me interessa!

Quem se julgar anormal...

Eu não quero nem conversa!

 

Futebol é um gol de placa!...

Faz vibrar u'a multidão!

Inda bem que tem o “Maraca”,

P’ra arbitrar a escravidão!

 

Sempre elegem um estrupício,

P’ra reger esta nação!...

É melhor viver num hospício...

— Bem longe da agitação!

 

... O regresso do egresso,

Inda vai ser um progresso...

Por fazer um retrocesso,

Dá processo no congresso!

 

... No voar do beija-flor,

Co’as asas, cheias d’olor...

Se queres ver a beleza...

Voes pra linda Fortaleza!

 

Ele chama a companheira,

Porque é muito danadinho...

Mas não quer ficar sozinho,

Co’a rolinha na banheira!

 

Dei de cara co’a Maria,

Quando vinha lá da feira;

Fez u’a enorme baixaria...

Co’a coitada da ceifeira.

 

Um mor afluente sem fim,

Levou minha flor de jasmim...

Mas existe um querubim...

Vai trazer outra pra mim!

 

Quando eu for fazer um poema...

‘Screverei — sem preconceito;

‘Scolherei o melhor fonema...

— P’ra ninguém botar defeito!

 

Acha-se em grande porção...

A surdez d’um tal maestro!

Mas..., sua pior frustração —

Não ter nascido ambidestro!

 

Paulo Costa



Pacco *01h08






 Na manga, tem sempre engodo...

— Na cueca — o mensalão!...

Pra embolsar dinheiro a rodo...

Tem que haver um escalão!

 

Morrer pela guerra e paz —

Será sempre uma ilusão!...

Se quiserem um bom cartaz...

Talvez, noutra encarnação!

 

Já te vejo em cadafalso,

Co’uma frase bem poética:

D’amigos, tem cada falso...

E muitos... Fora de ética!

 

Ah! S’eu pudesse ‘screver...

Mudaria uma nação!...

Mandaria dissolver... —

A miséria e a abjeção!

 

Doce e querida poeta...,

Contigo, eu sempre estarei!

Vou levar-te na secreta...

Em teus braços serei rei!

 

Hoje os deuses vêm brincar,

— Co’os anjos a navegar!...

Quem sabe, é p’ra namorar,

Co’as lindas deusas do mar.

 

“E deságua em nossos poros”,

No mais lindo amanhecer...

Vendo os pássaros canoros,

Até o fim do entardecer!

 

 

“Depois some devagar...” —

Dando espaço ao lindo Sol...

U’a canção pra aconchegar,

Nesse encantado arrebol!

 

... Todos eles geniais...

E eu aqui na imensidão!

Mas pra que credenciais...

Se já toco o bombardão?

 

Paulo Costa



Pacco *00h56






Mulher na Internet,

é como capim...

Se der ponto net,

Só acha pudim!

 

Se for baronete,

Só quer benjamim...

Co'a longa baguete,

Na flor de jasmim!

 

Certa vez, uma minhoca

Resolveu ser uma atriz...

Trabalhava na engenhoca,

Para u’a linda imperatriz.

 

Se a saudade vem do amor,

Machucando o coração...

Apagava a minha dor —

Escrevendo uma canção!

 

(...) Quero saudade sentir...

— Do verso metrificado!...

Não que não possa existir...

— O versejar no quadrado!

 

Se o conciso foi impreciso...

— Não terá u'a evolução;

Talvez fosse mais preciso,

Encontrar uma solução.

 

Nada achei pra melhorar,

O que ainda não convém...

Mas podemos explorar —

Tudo aquilo que contém!

 

Que seja um grito d’ardor,

Apagando a nossa dor...

Tal qual a singela flor

A encantar o beija-flor!

 

S’eu fosse contar um conto,

Um bom conto eu contaria...

Quem sabe, eu faria um desconto,

— Se não fossem à portaria!

 

Não pretendo ser poeta,

Muito menos ser artista;

Quero andar de bicicleta...

E dar uma de alpinista!

 

Cultivando a minha memória,

No desejo musical...

Ah! Será u’a grande história,

S’eu compor um madrigal.

 

... Futuro na sua mão!... —

Diz a cigana — no olhar!

Depois d’um longo sermão...

O negócio é embaralhar!

 

Com os pés firmes no chão...

Penetram os bichos-de-pé...

Eles vêm com cansanção,

P’ra tentar tirar o chulé. 

    

Paulo Costa (Pacco)



Pacco *00h40






Não fui feito de proveta;

Eu nasci do puro amor!...

Quando o toque da trombeta,

— Resvalou naquela flor!

 

Minha Lenna já é crescida,

Já não brinca de boneca;

Eu qu’embalo a’dormecida,

Mas não tiro u’a só soneca!

 

No frenesi da balada...

Em seus braços me envolvia;

Quando dava u’a desfilada...

Convidava-a p’ra hidrovia.

 

Se o sistema é pervertido...,

Não tenho nada a ver com isso!

O problema é do vestido... —

A que o homem é submisso!

 

Teu véu branco é acetinado,

Transparente como um anjo;

Sinto-me tãooooo excitado...

Que vou tocar esse arranjo!

 

... A sujeira continua... —

Na cabeça das pessoas;

Se as mulheres ficam nuas,

Põem chifre nas patroas!

 

... Se já perderam o Tesão...

Disso ainda, não sei, não!...

Só sei qu’é um belo refrão...

— Fazer amor no colchão!

 

Trocar o amor por paixão...?

Só se for por duas de vinte!

Hoje, levo u’a pro colchão...

E a outra — no dia seguinte!

 

Na rede, balança mais...

— É difícil equilibrar...

Ao ouvirmos uns ais, ais...

A corda vai rebentar!!

 

Na calça tem mor remendo...

Dá pra ver até a calcinha...

Perdoai-me, oh! Reverendo —

Mas é muito bonitinha!...

 

Não é coisa de mocinha —

Ficar nua em meu quintal;

Se for pra tirar a calcinha...

Não esqueça o fio dental!

 

... E começa a enrolação...,

Mas com toques tão vibrantes...

Que a donzela entra em ação:

"Por que não me beijou antes?".

 

Paulo Costa



Pacco *20h27






Em teu peito delicado —

Salivei u’a bela flor!...

Vendo a fruta do pecado,

N’oscular do beija-flor.

 

... Se a vida conjugal,

Fosse igual à musical...

Não havia baixo-astral,

Na cadência horizontal.

 

Nessa alcova, sem te ver...,

Fico tãooooo amargurado...

Mas eu vou ficar curado,

Quando, enfim, te revolver!

 

... Foi naquela noite fria —

Qu’eu ouvi o teu chamado...

Vend’o orvalho no gramado...

Foi tão bom!... “Ave-maria”!

 

A coisa vai ficar preta —

Pro Romeu — co’a Julieta;

Por ter dado u’a cacholeta...

— Na bendita Violeta!

 

Se crua já é gostosa...

Imagine torradinha...

Nem precisa ser mimosa,

Basta ser bem danadinha!

 

S’eu quiser comer cuscuz,

Vou comprar o da vizinha...

Mas farei o sinal-da-cruz,

E dizer qu’é u’a belezinha.

 

Co’um simples telefonema,

Levarei meu grande amor...

P’ra balada ou pro cinema...

E depois... — beijar a flor.

 

Dar u'a pegada atrevida...

É mui bem-vinda n’alcova;

Mas, se fugir da guarida...

Eu trago outras na trova.

 

O teu riso satisfeito...,

Conspirou co’o meu desejo...

Quando estavas em meu peito,

Eu tocava um lindo arpejo.

 

Nas telas do ateliê... —

Pinto u’a imagem de mulher;

Tem até — u’as com buquê...

P’ra você poder ‘scolher.

 

Corpos amando na cama,

Superam qualquer desejo...

Pode ser até na grama... —

Onde há menos sacolejo!

 

Paulo Costa



Pacco *15h04






S'eu tivesse cem milhões,

P'ra comprar obras de arte...

Compraria as de Camões;

Só p'ra sonhar e amar-te!

 

S'eu tivesse u'a bela enxada,

  P'ra cavar uma luz sagrada...

Cavaria uma poesia,

P'ra sair dess'agonia!

 

Andando na corda bamba,

Assim, com'um equilibrista;

Vivo num país de samba,

De poeta e muito artista.

 

Escrevi prum bom quinteto,

Mas ninguém quer se arriscar;

É que um membro do "sexteto",

Também tem que swingar!

 

Se o "poeta" fosse músico,

Faria u'a linda canção...

Ele acha que isto é lúdico,

Escrever u'a aberração!

 

Um poeta de verdade...

 Escreve sua poesia

Com muita sinceridade;

Sem exagero e fantasia!

 

Heptassílabos no ar...

É tão belo o versejar...

 Um canto pra solfejar  

Melhor maneira não há!

 

!

 

Paulo Costa



Pacco *16h45






Mas, p’ra que tanta conversa...

Se os fantasmas dos meus eus,

Não terão nenhuma pressa...

— P’ra tocar co’os fariseus?!

 

Zumbido de marimbondo...

— Tremula nos escarcéus...,

P’ra picar quem ‘stá compondo,

Os versos que vêm dos Céus!

 

... Segredo e felicidade...,

São duas coisas incomuns;

U’a delas é a liberdade... —

Outra soa um mor zunzum!

 

Nos cegos tempos de outrora...

Que são os mesmos de agora!...

Somente burlaram as datas,

P’ra poder lograr — “Sonatas”!

 

Paulo Costa



Pacco *16h10






De dentro d’um mor caixão...

Vai sair um escorpião!...ºº°~

De grinalda e co'um ferrão...

— P’ra picar o coração!~~~

 

... As cobras são venenosas...

Mordem a gente sem piscar;

“Eh um tar de chamar nóis” —

D’amigo; por trás — d’algoz!

 

Já não sabe aonde poisa,

A moderna extrema-unção!

Deus me livre dessa loisa —

Lá tem muita assombração!

 

... E passou-se pro outro lado,

P'ra saber como era a coisa;

Via o céu  todo estrelado...

De costas naquela loisa!

 

Ele vem co'um grande espinho

Isso é um tanto contundente!

Para dar u'a de mocinho

Troca o gládio por tridente!!!

 

Não que a cobra tem no dente,

Mas enfim  no rabo dela!...

Tem um chocalho com tridente,

Pra enviesar a zarzuela!

 

Os homens deste planeta,

Já mataram grandes reis!...

Mas deixaram um mor Capeta,

Pra 'spetar todos vocês!!!

 

Paulo Costa



Pacco *14h58






 Deixarei todos felizes —

No repente a desejar!...

Por mostrar vários deslizes,

Na maneira de trovar!

 

É difícil de escrever... —

O swing, o samba e o frevo...

Pois nem sabem transcrever,

As toccatas qu'eu escrevo!

 

Nunca vi gente tão surda,

Sincopar nu'a simples trova;

U'a escansão mais absurda,

Pra adornar a própria cova!

 

S'eu escrevo um só compasso,

Com trinados simultâneos...

Já coloca um marcapasso,

Diz não ser contemporâneo!

 

O quadrado do maestro

'Sculhambou um tal poeta;

Alegando qu'é ambidestro,

Pondo a boca na trombeta!

 

Mataro a bendita música...

No finá do sécro XX...

Mais, criaro u'a tar de lúdica,

Pra inganá os radiouvinte!

 

Querem transformar o livro —

Num pedaço de metal!...

Para ler tudo no micro...

— Pra poupar o vegetal!?

 

Não sei 'screver poesia,

Nem tampouco uma canção...

Como compor Fantasia...,

Se não tenho aspiração?

 

Nunca fiz um só poema,

Que não fosse tão real;

Muitos deles viram tema,

— Na coluna social!

 

Viver num lindo pesqueiro,

Como um peixe ornamental...

É melhor ser beijoqueiro,

— Num aquário ocidental.

 

Havaiana, quando dança,

Deixa o corpo retorcido;

Inda tenho a esperança...

Qu'ela esqueça o falecido!

 

Se a mulher veio da costela,

Deus foi muito criativo!...

Pois criou, na mor cautela,

Um corpo belo e atrativo!

 

Pra manter a excitação...,

Tem que ser muito bonita...

Mas não pode ser um canhão,

— Muito menos, maronita!

 

Pra qu'eu fique a noite inteira,

Tem que ser muito gostosa;

Mas não posso dar bobeira,

Co'a pantera cor-de-rosa.

 

Sinto toda a maresia...

Lá na Volta da Jurema!...

Logo escrevo u'a poesia,

Bem juntinho da Iracema!

 

A trova 'stava travada,

Com'um encanto, desviou...

Dei-lhe u'a baita saraivada...

De repente, ela voltou!

 

Se o clero fosse sincero —

Na ilusão, que enfim, pondero...

Talvez, faço outro bolero...

Pra acabar co'o lero-lero!

 

Não posso deixar a música,

Nem tampouco o meu piano;

S'ela não me amasse tanto,

— 'Studaria u'a coisa lúdica!

 

Se tu amas de verdade...,

Encanta em todo o universo;

Pra ti, vou fazer um verso,

Co'a maior seriedade!

 

Quando eu for fazer faxina,

Vou 'spanar a mor maldade;

S'ela morrer de saudade...

Vou enterrá-la lá na China.

 

Se a carne é contaminada...

Monturos vão reclamar!...

Com escárnio da Esplanada...

Do fedor que vai exalar!

 

Na trova deu cambadela...

Deu porrada em todo mundo!...

Quando entraram na escudela,

Viram logo qu'é infecundo!

 

Por eu ser compositor... —

Vou fazer minhas próprias regras;

Vou seguir o caminho de Heitor...

No contraponto — deveras!!

 

... Se tens alucinações,

Por não ser compositor...

É melhor ir ao doutror —

P'ra evitar complicações!

 

Beethoven que 'stava certo!...

Escrevia o que ouvia...!

"Surdos" — somos nós — decerto!

Por vivermos na enxovia!

 

Pra chamar a inspiração,

Volto ao séc'lo XVII...

No barroco há perfeição...

Co'o Bach vou pintar o sete!

 

... Alisando-te co'a mão...

Deixarás maus manuscritos!

Tentes fazer u'a Canção...

— Àqueles pobres d'spírito!

 

Àqueles pobres d'spírito,

Jamais farão u'a Canção!

Tenho mor dó dos eméritos...

— Por viverem na ilusão!

 

Eternizas no universo,

Que o confim já 'stá à espera...

Não viajas no converso...

Podeis ser a besta-fera!

 

Quando traíram Jesus...

Todos eram seus amigos;

Na hora que viram a cruz,

Disseram: "Dai-lhe castigos!"

 

Ó triste e amargado laço...

No feral da desventura!...

Rodeados de maus paços...

Com mesquinhas criaturas!

 

Pra fazer uma bela trova,

Não podemos ter fobias...

Vão tirar zero na prova,

Se fizerem algaravias!

 

Meus filhos tinham fobias,

Principalmente, de altura...

Mas, o esperto do Tobias...

— Estudou arquitetura!

 

Pra 'screver uma canção,

Não precisa inteligência;

Basta u'a simples inspiração,

E ter muita paciência!

 

De tanta encrenca, na vida...

Me excluíram — sim, senhores!

Por não "morar" na guarida...

Dos pobres compositores!...

 

A música de verdade

Não é fácil d'escrever;

Pior — na atonalidade...

Será que vão proscrever?

 

Quando mudaram a catraca,

P'ra reforma digital...

Foi pra calar a matraca,

— Da fofoca musical!

 

Bateu a flauta no dente...

Inda, quase teve um enfarte —

Quando viu — tanto acidente...

— É melhor não fazer "arte"!

 

Nem por eles são citados —

Os que fizeram u'a nação!...

Para os Homens avançados...

No presente, é tudo em vão?!?

 

Anotando em seu diário —

U'a canção em seis por oito...

Se quiser — leve em binário...

— Até o compasso dezoito.

 

Outro dia, em minha porta...

— 'Stava vendo o matagal;

Meu jardim já nem se importa...

Se atacar o meu quintal!

 

Anjinhos em profusão,

Trocam água por licor...

P'ra saber com'o artesão,

Vai esculpir a linda flor.

 

Sim... A erva é tão maldita...

'Straga os laços quando há falta;

Faz do homem, um troglodita...

A cruzar a Cruz de Malta.

 

... E u'a pegada atrevida...

É mui bem-vinda, n'alcova;

Mas, se fugir da guarida...

Eu trago outras na trova.

 

Tu queres ser admirada —

No tanque, forno e fogão?...

Tens que ser muito prendada,

Qual empregada no colchão!

 

O que ensinas pra valer,

Cresce em toda humanidade...

Não devemos esquecer... —

Qu'essa é a mor felicidade!

 

...Tua árvore terá

Bela rama verdejante...

Nasce u'a prosa flamejante,

Só nos resta incrementar!

 

Saio desta vida,

De cabeça erguida...

Sem ter que mostrar,

— A bunda pro ar!...

 

Paulo Costa



Pacco *13h57





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