O Náufrago

 

Ah! Quando me lembrei de minha terra...

Naquele dia em que subi à serra —

A contemplar o ‘splendor...

Vi o farol iluminando as marés,

A vagar do pequeno belvedere —

Atrás d’um navegador.

 

Me lembro ainda — uma luta cerrada,

Para encontrar u’a canoa virada...

Que ‘stava lá no fundo!

Barcos e mais barcos chegavam ao porto,

P’ra retirar um homem — semimorto —

Já quase moribundo!

 

Quando o tiraram, enfim, daquelas águas...

Os bombeiros e os salva-vidas — sem tréguas,

P’ra salvar o remador!

Já não respirava naturalmente...

Levaram-no ao convés — tão urgente —

Num barco d’um pescador...

 

Ao retirá-lo — co’aquela catraia...

A multidão invadiu toda a praia —

No meio da procela.

O náufrago ‘stava tão molemente...

Bebera tanta água!... Mas, contente —

Ao ver o barco à vela!

 

Paulo Costa



Pacco *10h27






O enxadrista

 

... Quando fui convidado para participar

D’um longo Campeonato Regional de Xadrez...

O treinador nos alertou p’ra não vacilar...

P’ra ter calma e não jogar com tanta rapidez.

 

Foi na belíssima cidade de Itapeva...

E não deveríamos dar nenhuma chance

Para os oponentes que estavam na reserva,

E imaginar u’a estratégia a cada lance.

 

A primeira rodada — foi mui agitada!...

Três a dois no placar, e foi bem apertado.

Jogamos contra uma equipe bem treinada...

Mas, foi por causa d’um deles — ter abortado!

 

Até que jogamos bem — não resta dúvida!

Ficamos entre os primeiros na classificação;

Todos nós estávamos na maior boa-vida...,

E nem pensamos que seria u’a provocação.

 

De vez em quando, eu usava u’a "abertura inglesa"!

Jogava sempre co’ essa estratégia — direto —

Saía co’a mesma tática — mor destreza...,

Co’ aqueles que jogavam o "bispo" no fianqueto.

 

Alguns adversários jogavam — imponente — "e4"!...

Quando saíam de brancas... Minha defesa — "c5"!

Dessa forma, eu atordoava o oponente... —

Ganhando credibilidade — com certeza!

 

O campeonato estava apenas começando...

Nem imaginava o que viria pela frente.

Alguns abelhudos ficavam observando...

Logo notei que havia algo incoerente...

 

Na segunda rodada... Foi bem mais difícil!

No meio jogo... Sacrifiquei os dois "bispos",

P’ra ganhar vantagem, e assim ficar mais fácil

De contornar para dar o "mate" — logo após!

 

No placar, saiu dois a dois e um empate!

Inda estávamos entre os melhores no jogo;

Então, fomos ao pátio — comer chocolate;

Rever as jogadas, e ouvir o pedagogo.

 

Depois de rever tod’as possibilidades...

Fomos anunciados que jogaríamos

Com uma das equipes de celebridades —

Da cidade de Itu, e que tinham planos!...

 

Planos para nos derrotar — mas se enganaram!...

Quando anunciaram que tínhamos que jogar

Contra aquela cidade... Me lembrei do Barão,

Da Monarquia — que fazia o povo vergar!...

 

Mas, não ia me intimidar co’aquela lembrança,

Que me deixara pensativo e muito feroz.

Tive muita fé!..., e acreditei na esperança —

Que poderia derrotar o oponente algoz.

 

Essa tinha sido então a terceira rodada!

— Estávamos agora no topo da luta...

Várias equipes haviam sido derrotadas,

Até então surgir um árbitro na disputa!

 

Logo ao empatarmos co’a cidade de Itu,

Inda estávamos no topo, p’ra reta final...

O "cara" não saía do bar — bebendo Pitu!...

Amargurado, desvairado — com’um banal.

 

Na quarta rodada, enfrentei um biólogo,

Que não tinha estratégia, e foi uma lástima!

Depois que desvendamos aquele apólogo...

Só restava esperar a próxima vítima.

 

Nessa altura, não tinha perdido u’a só rodada...

Foi quando veio a quinta, e surgiu o árbitro...

‘Stava inconformado, e apontou u’a dedada

Para o meu oponente — por ter ganho um litro...

 

Um litro de aguardente — d'um tonel de engenho,

E começou a palpitar co’ aquele dedo...

Dedo asqueroso, apontando meu desempenho,

E fazendo de conta que estava bêbedo!

 

Naquele instante, o jogo perdera o encanto!

— O duelo não era somente contra um...

E sim, contra dois opositores — conquanto,

Não tiveram um resultado fora do comum!

 

Saí do jogo e deixei a partida em desmando,

No qual — o juiz se fez de vítima... Mas, vi

Todas as falcatruas que estavam tramando...

Levantei-me logo em seguida, e despedi-me!

 

Paulo Costa



Pacco *18h11






A floresta encantada

 

Encontrei as bruxas no meio da floresta...

Fazendo mandingas em seus tachos de ferro;

Usavam ervas aromáticas p’ra festa...

Prum ritual funesto na beira do aterro.

 

Aproximei-me lentamente por entre as folhas

Das árvores, que cobriam minha fronte da luz...,

Para que não me vissem ali olhando as bolhas

Nos caldeirões, que exalava um cheiro de mastruz!

 

U’a sombra na cascata de repente surgiu!...

Veio ao meu encontro, e pegou-me ajoelhado...

Pousara bem diante de mim, e me encobriu

Co’seu manto e fechou meus olhos co’um cajado!

 

Era um feiticeiro rusgando na solidão,

Que o abatia nos dédalos das pregações...

‘Stava em sudário no meio da escuridão,

E o pensamento inerte tombava nos grilhões.

 

No ar bem úmido da floresta encantada...

Só se ouvia o grunhir do abutre e da coruja!...

Não havia uma só trilha, nem u’a estrada

Para qu’eu pudesse fugir da garatuja!

 

Lá do outro lado da montanha escarpada,

Os raios da lua clareavam todo o céu.

Quando percebi aquelas hidras na mata...

Era um deus co’seu bastão vetusto caduceu!

 

Nesse instante, surgiu uma enorme tempestade...

Toda a floresta ficou azulada co’o tufão!...

Com raios tão formosos, iluminando o abade,

Co’ imensas quimeras, que traziam um garrafão!...

 

... E fiquei curioso p'ra saber o que havia

Dentro do garrafão... E quando olhei acordei!

 

Paulo Costa



Pacco *17h57






Minha casa própria

 

Ano mil novecentos e noventa.

Resolvi construir minha casa própria.

E não tinha nenhuma ferramenta,

E eu queria mesmo — de alvenaria.

 

Foi no período do "plano cruzeiro",

No governo do presidente Collor...

Tive que destruir um cupinzeiro,

Que, p’ra mim, não tinha nenhum valor.

 

O indecoroso arrocho na poupança...

Mada e eu poupávamos em dólares...

Poupar foi nossa única esperança;

Decerto, sentiríamos novos ares.

 

Ao contratarmos um mau engenheiro...

Seu pessoal não sabia calcular;

E... Nós queríamos um bom pedreiro,

Que engendrasse uma ‘scada circular.

 

Na fundação, foi u’a longa confusão...

Ninguém sabia por onde começar!...

Vendo aquela triste e oprimida missão...

Eu mesmo, fui obrigado a calcular.

 

— Teremos que fazer uma sapata —

Bem funda!... P’ra sustentar as colunas!

Só não quero comprar um bate-estaca,

Somente p’ra fazer essas lacunas.

 

Nós queríamos um grande sobrado,

Que tivesse u’a estrutura a verberar

Com a acústica, um som equilibrado,

Por pessoas que soubessem operar...

 

Quando contratei aquele pedreiro...

Nem tinha noção do que ia acontecer...

O homem se queixava o tempo inteiro...

O que ele fazia — era me aborrecer!

 

Passava o tempo todo a examinar...

Mas, só examinar... A primazia

Do que tinha pra fazer — só se abanar!...

Reclamava do calor que fazia.

 

No fim de semana, toma lá, dá cá;

Era sagrado e não tinha o que dizer.

Tive até que comprar uma alavanca,

Mas, deixava tudo aquilo por fazer.

 

Um belo dia — vi todos dormindo...

Estavam de férias em minha casa!

Desse jeito — eu não era bem-vindo...

Muito menos, Mada — dona da casa!

 

Naquele dia... Tive uma boa idéia:

Eu mesmo poderia fazer meu lar...

Só precisava d’um empurrão na areia,

E ter muita vontade p’ra começar.

 

Então, tive coragem de extrapolar!...

Co’aquela verba gasta pros sonecas...

Compramos tudo em material do lar;

Cimento, tijolo, areia e placas!...

 

O acabamento já estava quitado...

Só faltava comprar a cobertura...

Pagamos tudo aquilo adiantado...

E mãos na massa — foi mor aventura!

 

Tive que aumentar a parte dos fundos...

Para que pudesse fazer um palco

Pro piano e o baixo que estavam imundos;

Imundos de poeira num socalco.

 

A fundação já estava quase pronta...

Só precisava fazer uns ajustes

Co’a parte que ficava noutra ponta,

Ligadas por um baldrame co’ fustes.

 

Comecei pela parte mais difícil...

A escada! Chamei o tal engenheiro

P’ra solucionar um problema infantil...

Esperei que me fosse conselheiro.

 

Quando fui fazer a bendita escada...

Aparecia um erro de metragem:

Uns degraus, pareciam arquibancada,

E não ficavam na mesma contagem.

 

Na medida, dezessete cm de altura,

Por vinte e sete cm pra ficar de base...

Os degraus não tinham a mesma estrutura;

Dois deles ficavam altos na face.

 

Cálculos e mais cálculos... E nada!...

Nada de solucionar o problema!

— "O pedreiro errou na rampa da ‘scada!"

Disse o engenheiro, depois d’um dilema.

 

Tentando me confortar..., ele disse:

— "Essa parede, também está torta!...

Não vai ser fácil, você atrever-se

A fazer todos degraus até a porta.

 

— Mas, não fique triste; isso acontece!...

Logo irá se acostumar co’esse salto!

Talvez, haja um problema no alicerce...

O terreno aqui, tem muito planalto!"

 

Na ‘spreita, descobri que o ignóbil

Tirara o diploma através de cobres!...

Resolvi fazer os degraus, mesmo inábil...

Vi que era capaz de mostrar aos nobres —

 

Como fazer!... P’ra reparar o defeito,

Desenhei cada trecho do ambiente...

Percebi o que tinha de ser feito:

Arrumar a parede, e bem ciente!...

 

Não restava mais outra sugestão!

Matematicamente, fui moldando

Cada milímetro — com precaução...,

E assim, fui formando e multiplicando!

 

Finalmente, consegui fazer os degraus!

O engenheiro e nem ninguém acreditou,

Como fiz p’ra bolar os noventa graus.

Um presente p’ra Mada, que s’encantou!

 

Quando cheguei na parte superior...

A Medusa — u’a cadela mais linda...

Já havia inaugurado com todo ardor —

"Dizia" p’ra Mada: — "Seja bem-vinda!".

 

Esperei exatamente seis dias...

P’ra que ficasse tudo nos conformes.

‘Stava apenas começando as audácias —

Já tratei de comprar uns uniformes.

 

Agora, eu era mestre na construção...

Li sobre engenharia, noite e dia...

Até então, não tinha uma instrução,

De como erguer aquela alvenaria.

 

Logo apareceu u’a enorme obstrução...

Fui chamado ao fórum, a uma audiência,

Para resolver u’a enorme confusão,

Que o vizinho exagerou na exigência.

 

O mandado veio logo a desoras...

Para que eu tivesse que comparecer,

Pelo menos, em vinte e quatro horas,

P’ra embargar a obra no amanhecer.

 

Pensei em contratar um advogado...

P’ra retirar essa queixa maldosa,

Que o vizinho sentiu-se intrigado,

Por eu ter quebrado a parede rosa.

 

A velha casa era parede-meia —

Feita de argila e tijolo antigo...

Naquele tempo não usavam areia,

A solução foi fazer outro abrigo.

 

O perigo aumentava a cada dia...

Não havia mais conserto legal!...

E, p’ra fazer uma bela moradia,

Tivemos que sair da capital.

 

* Continua no próximo episódio!...

 

 

Paulo Costa

 



Pacco *17h56






Papel de Parede - Chega de Escrever 1024x768

Biografando

 

Não sei ‘screver nenhuma fantasia...

Na verdade, seria uma hipocrisia —

‘Sconder o que aconteceu!

Escrevo a minha história em poesia...

Biografando a real maresia... —

Neste grande coliseu.

 

A única fantasia qu’escrevo...

É aquela que vem dos altos-relevos,

P’ra encantar a multidão!

Escutando um prelúdio bachiano...,

Vou me enfronhando co’o som do piano,

A voar na imensidão!

 

Suspiro as mais saudosas melodias —

Vindas do universo!... Nas Fantasias —

Contrapontos na canção.

Em noites tormentosas dos labregos...

Tal qual a tormenta nos desapegos...

Sem esperança e nem ilusão.

 

Tentando me atentar — tentaram tanto...

Que a inveja os levou aos desencantos,

Cheios de nescidade!

No atentar, enjaularam-se co’os gamos!...

Enquanto, eu sobrevoava os álamos...

P’ra eterna liberdade!

 

Paulo Costa



Pacco *05h48






Papel de Parede - Cupido do Amor 1280x1024

Cupido

 

A ponta daquela flecha,

Acertou nu’a bela brecha...

— O meu coração!

No jardim, enquanto estava

No pomar, que me guiava —

P’ra linda canção...

 

Balanço ao som das violas...

— No meio das barcarolas...

— No profundo mar!...

Se o cupido foi certeiro...,

Debrucei em teu veleiro —

P’ra te conquistar!

 

A imagem daquele tiro,

Retirou-me ao retiro...

— Bem retirado!

Na coifas p’ra te enamorar...

Nas montanhas — afervorar

Num mor cerrado!

 

No alto daquele oiteiro... —

Onde havia um nevoeiro —

P’ra ‘sconder teu ser!...

Sobre as ondas das ilusões,

Viajava nas emoções... —

Ao te descoser.

 

Me guiava em seu roteiro —

Onde havia um só canteiro —

Minha acuidade!

Tua imagem resplandece,

Plenamente em minha face...

— Na liberdade!

 

Paulo Costa



Pacco *00h36






Papel de Parede - Melodia No Céu 1280x800 [Widescreen]

P'ra 'screver uma canção...

 

P'ra 'screver uma canção...

Não precisa inteligência;

Basta u'a simples inspiração,

E ter muita paciência!

 

Se for escrever um poema...,

Não o faça com negligência;

Para não cair "no esquema".

 

Seria um tremendo trauma...

Enquanto a canção — acalma!

 

Paulo Costa



Pacco *16h43





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